- Página inicial
- a guerra é a guerra
- a propriedade é um roubo
- bichos
- cinco sentidos
- desinquietações
- diálogo com o leitor
- do grotesco
- elementais
- eras da técnica
- errância
- escrever
- estesias
- eu sou da infância
- eu tenho a paixão das árvores
- incipit
- (in)disposições do narrador
- literatura, literatura, literatura
- margens, de várias maneiras
- motu proprio
- noite, doce noite
- o desejo
- o folguedo, a festança
- o mar oceano
- o outro
- o peso da História
- o quando e o quadro
- o sangue
- o silêncio
- o sonho da razão
- o tempo que passa
- oh, as casas
- paisagem
- Portugal a várias vozes
- refracções
- retratos do povo
- ruínas e devastações
- seiva
- senhor e servo
- terra-mar-e-ar
- transgressões
- urbs
domingo, 12 de janeiro de 2020
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Eça de Queirós, A CIDADE E AS SERRAS (póst., 1901)
«Como uma sombra, casou; deu mais algumas voltas ao torno; cuspiu um resto de sangue; e passou, como uma sombra.»
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
Coelho Neto, A CAPITAL FEDERAL (1893)
«De longe em longe, uma luzinha treme, traçando no pó soalheiro dos caminhos uma risca luminosa -- é algum jogador, que se recolhe despojado e trôpego, ou o santíssimo padre Coriolano, que anda a correr o aprisco, a ver se alguma ovelha bale, roída pelo arrependimento do pecado, que é uma chaga terrível que a gente cura com as drogas da filosofia ou com a boa e sadia campónia, que, mais do que os santos, sabe levar os seus eleitos ao Paraíso, por um caminho bem diferente desse que a igreja conspícua e autera manda que se trilhe -- ninguém mais.» A Capital Federal (1893)
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
Aquilino Ribeiro, A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES (1957)
«Do pinhão, que um pé-de-vento arrancou ao dormitório da pinha-mãe, e da bolota, que a ave deixou cair no solo, repetido o acto mil vezes, gerou-se a floresta. »
sábado, 16 de novembro de 2019
primeiro parágrafo de A CAPITAL! (1925, póstumo), de Eça de Queirós
«A estação de Ovar, no caminho de ferro do Norte, estava muito silenciosa pelas seis horas, antes da chegada do comboio do Porto.»
O tempo: seis horas. A informação aduzida, o silêncio, não chega para concluir a que parte do dia corresponde.
O espaço: estação de comboios de Ovar.
Impressões: Se o título remete para (um)a capital (com ponto de exclamação, desde a edição crítica), o início do romance numa estação de caminhos-de-ferro é uma forma expedita de dar o tom de partida; e se é de Ovar, clacula-se que o destino seja Lisboa.
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Valter Hugo Mãe, A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS (2010)
«achei que aquele silva era um imbecil dos grandes e que me estava a empatar as energias com retóricas a chegar a um ponto em que a irritação me fazia agir contra a vontade de estar quieto.»
terça-feira, 22 de outubro de 2019
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
Ferreira de Castro, A MISSÃO (1954)
«No telhado antigo, com o pó dos tempos fixado em crostas esverdeadas que nenhuma chuva conseguia lavar, os pardais faziam o ninho na Primavera.»
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
primeiro parágrafo de A CALÇADA DA GLÓRIA (1947) de Tomás Ribeiro Colaço
«Uma das coisas discutidas no Café Martinho era a virgindade de Antero.»
Tempo: Não explícito. [a acção decorre na década de 1920]
Espaço: O narrador refere-se ao Café Martinho, em Lisboa; pode situar-se aí, ou não.
Personagem: referência a Antero Chumbo, figura central da narrativa, que parodia António Ferro.
Modo: o tom jocoso, próprio de uma sátira.
De notar que o autor, monárquico liberal, estava exilado no Brasil, onde se publicou A Calçada da Glória, um nítido ajuste de contas, a que a literatura, melhor ou pior (e muitas vezes pior) é sujeita.
domingo, 13 de outubro de 2019
primeiro parágrafo de UMA ABELHA NA CHUVA (1953), de Carlos de Oliveira
«Pelas cinco horas duma tarde invernosa de outubro, certo viajante entrou em Corgos, a pé, depois da árdua jornada que o trouxera da aldeia do Montouro, por maus caminhos, ao pavimento calcetado e seguro da vila: um homem gordo, baixo, de passo molengão; samarra com gola de raposa; chapéu escuro, de aba larga, ao velho uso; a camisa apertada, sem gravata, não desfazia no esmero geral visível em tudo, das mãos limpas à barba bem escanhoada; é verdade que as botas de meio cano vinham de todo enlameadas, mas via-se que não era hábito do viajante andar por barrocais; preocupava-o a terriça, batia os pés com impaciência no empedrado. Tinha o seu quê de invulgar: o peso do tronco roliço arqueava-lhe as pernas, fazia-o bambolear como os patos: dava a impressão de aluir a cada passo. A respiração alterosa dificultava-lhe a marcha. Mesmo assim, galgara duas léguas de barrancos, lama, invernia. Grave assunto o trouxera decerto, penando nos atalhos gandareses, por aquele tempo desabrido.»
O tempo: Uma tarde de Outubro, invernosa, já no último terço: 17 horas.
O espaço: A entrada duma vila de província, Montouro, término de um percurso pedestre entabulado desde uma aldeia dos arredores, Corgos.
Personagem: Homem provavelmente de meia idade, pela descrição da indumentária de extracção burguesa. A urgência e gravidade do que tem a tratar acentuam o carácter grotesco que, expectavelmente, à partida não teria.
Impressões: Lama, chuva, barrancos em tarde invernosa reforçam a penosidade por que passa a personagem.
O modo: Uma caracterização física muito pormenorizada logo de início, um pouco inesperada para mim.
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
Ferreira de Castro, A LÃ E A NEVE (1947)
«A luz parecia desprender-se, como um véu, da imensurável cavidade, deixando ainda vermelhar a telha francesa das casas abastadas, enquanto os negros telhados dos pobres se somavam já à escuridão que avançava.»
terça-feira, 8 de outubro de 2019
José Saramago, A JANGADA DE PEDRA (1986)
«Mas não podendo o sempre durar sempre, como explicitamente nos tem ensinado a idade moderna, bastou que nestes dias, a centenas de quilómetros de Cerbère, em um lugar de Portugal de cujo nome nos lembraremos mais tarde, bastou que a mulher Joana Carda riscasse o chão com a vara de negrilho, para que todos os cães de além saíssem vociferantes, eles que, repete-se, nunca tinham ladrado.»
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
José de Almada Negreiros, NOME DE GUERRA ([1925]1938)
«Ser homem ou mulher é apenas a natureza; chamar-se João ou Manuela já é a natureza mais a vida inteira: é o problema.»
domingo, 6 de outubro de 2019
primeiro parágrafo de A BOCA DA ESFINGE (1924), de Eduardo Frias e Ferreira de Castro
«-- Quem o diria, Berenice?... Sim, porque quando tu nasceste eu já não era um adolescente: -- já tinha realizado aspirações, sofrido desilusões...»
Nem tempo nem espaço; apenas um discurso directo dirigido a uma personagem feminina, bastante mais nova. Entre ambos poderá haver uma relação amorosa, ou outra. Nome especioso, muito década de 1920 do século passado, anos loucos.
Escrito a quatro mãos, é difícil atribuir a autoria deste parágrafo, embora a pontuação pouco convencional seja a que Ferreira de Castro usava então, bem como o gosto magazinesco pelo nome incomum.
Nem tempo nem espaço; apenas um discurso directo dirigido a uma personagem feminina, bastante mais nova. Entre ambos poderá haver uma relação amorosa, ou outra. Nome especioso, muito década de 1920 do século passado, anos loucos.
Escrito a quatro mãos, é difícil atribuir a autoria deste parágrafo, embora a pontuação pouco convencional seja a que Ferreira de Castro usava então, bem como o gosto magazinesco pelo nome incomum.
terça-feira, 1 de outubro de 2019
domingo, 29 de setembro de 2019
Eça de Queirós, A ILUSTRA CASA DE RAMIRES (1900, póstumo)
«Desde as quatro horas da tarde, no calor e silêncio do domingo de Junho, o Fidalgo da Torre, em chinelos, com uma quinzena de linho envergada sobre a camisa de chita cor-de-rosa, trabalhava.»
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
primeiro parágrafo de A CATEDRAL (1920), de Manuel Ribeiro
«Era a hora de Matinas. A sineta do claustro tangia, a convocar os capitulares para o coro, quando Luciano passou da sua alcova à biblioteca, entreabrindo uma pequena porta e afastando uma massa rígida dum brocado que descia do lambrequim em pregas hirtas, adornado de eucarísticos lavores de seda e oiro. Em seguida, acercando-se duma janela cujas portadas tinham ficado despreocupadamente abertas, descerrou, num gesto largo, as vidraças de par em par, e aspirou com delícia a onda do ar fresco, que inundou a casa, impregnado dos vapores que do jardim, em baixo, se evolavam.» O tempo. Matinas -- antes do raiar do Sol, hora de oração e leituras de textos bíblicos e hagiográficos.
O espaço. A referência a um claustro, a capitulares e a um coro, indica estarmos numa casa religiosa, obviamente sem surpresa, atendendo ao título do romance. Uma ligação directa da alcova à biblioteca, pode indiciar um aposento privilegiado para quem tenha hábitos, necessidades e práticas do foro intelectual.
Personagem. Luciano. Habita no recinto, no qual parece deambular à vontade. Sabemo-lo, quantos lemos o romance, tratar-se de pessoa decidida e ideias firmes. O «gesto largo» com que abre as janelas e aspira o ar da rua a plenos pulmões são gestos e atitudes que prenunciam a sua assertividade.
Impressões. o som (a sineta que tangia); a visualização do peso do lambrequim; o ar madrugador e refrescante que Luciano aspira a plenos pulmões.
O modo. As referências ao brocardo revela a permanência da estética naturalista, com todas as minúcias descritivas.
terça-feira, 17 de setembro de 2019
Coelho Neto, A CAPITAL FEDERAL (1893)
«Para estar de acordo com o horário dos trens devíamos chegar às oito horas e alguns minutos à estação, e estou certo de que assim teria acontecido se não fosse o folgado e paciente atraso de duas horas e meia, que tivemos de aturar dentro dos compridos wagons de primeira classe, nada inferiores ao cárcere duro.
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
confrontações com Antoine de Saint-Exupéry, PILOTO DE GUERRA (1942)
«Experimento um prazer em saborear este sol e este cheiro infantil, a carteira, o giz, o quadro.» (trad. Ruy Belo)
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















