segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

o início de CÁRCERE INVISÍVEL (1949), de Francisco Costa


«Em longos anos de rotina diária, meu pais afeiçoara-se de tal modo ao armazém de panos onde era o principal empregado, que ali fazia inúmeros serões, gozando raivosamente a ausência do patrão.»
(Lisboa, Editorial Verbo, 1972)

pontos prévio: Alves Redol, BARRANCO DE CEGOS (1961)

«Já lá vão quase cinquenta anos, tempo suficiente para que um lago se torne num pântano ou uma estrela distante e misteriosa se transforme num mundo corriqueiro, ambos possíveis por obra dos homens.»

Francisco Costa, CÁRCERE INVISÍVEL (1949)




«De mansinho (estou a vê-lo!), abriu a porta da rua, subiu no escuro os três degraus da entrada onde o próprio mau cheiro lhe agradava, e apalpando à esquerda, meteu sem ruído a chave na fechadura.»

Abel Botelho, O BARÃO DE LAVOS (1891)

«Dum primeiro andar, com tabuinhas verdes, logo abaixo do Circo, meninas de batas brancas convidavam: -- Psiu! não sobes, ó catitinha? -- aos janotas que passavam.»

domingo, 25 de fevereiro de 2018

o início de O BARÃO DE LAVOS (1891), de Abel Botelho

«Naquela noite de Março, desabrida e húmida, uma grande animação fervilhava alacremente ao fundo da rua do Salitre.» 
(5.ª ed., Porto, Livraria Chardron, 1924)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

José Saramago, O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS (1984)


«Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas de barro, há cheia na lezíria.»

Aquilino Ribeiro, ANDAM FAUNOS PELOS BOSQUES (1926)




«Tarde de infinita benignidade -- era nas vésperas de Nossa Senhora de Maio, quando ela de andor ao céu aberto avista tudo verde em redondo -- ali apetecia gozá-la com cristianíssimo ripanço ao passo moroso da digestão.» 

Joaquim Paço d'Arcos, ANA PAULA (1938)






«Seguiam sem pressa, um pouco vergados pelas próprias figuras, olhando mais o piso da estrada do que os amplos horizontes à sua volta.»

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

o início de AUTO DOS DANADOS (1985), de António Lobo Antunes

«Na segunda quarta-feira de Setembro de mil novecentos e setenta e cinco comecei a trabalhar às nove e dez.»
(11,ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1987)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Carlos de Oliveira, UMA ABELHA NA CHUVA (1953)



«Havia sobre a vila, ao redor de todo o horizonte, um halo de luz branca que parecia o rebordo  duma grande concha escurecendo gradualmente para o centro até se condensar num côncavo alto e tempestuoso. O vento ia descoalhando as nuvens e abria caminho à grossa chuvada que a tarde esperava.»

Camilo Castelo Branco, AMOR DE PERDIÇÃO (1862)





«Se comparo o Amor de Perdição, cuja 5.ª edição me parece um êxito fenomenal e extralusitano, com O crime do Padre Amaro e O primo Basílio, confesso, voluntariamente resignado, que para o esplendor desses dois livros foi preciso que a Arte se ataviasse dos primores lavrados no transcurso de dezasseis anos. O Amor de Perdição, visto à luz eléctrica do criticismo moderno, é um romance romântico, declamatório, com bastantes aleijões líricos, e uma ideias celeradas que chegam a tocar no desaforo do sentimentalismo.. Eu não cessarei de dizer mal desta novela, que tem a brutal insolência de não devassar alcovas, a fim de que as senhoras a possam ler nas salas, em presença de suas filhas ou de suas mães, e não precisem de esconder-se com o livro no seu quarto de banho. Dizem, porém, que o Amor de Perdição fez chorar. Mau foi isso. Mas agora, como indemnização, faz rir; tornou-se cómico pela seriedade antiga, pelo raposinho que lhe deixou o ranço das velhas histórias do Trancoso e do padre Teodoro de Almeida.» «Prefácio da quinta edição», 1879.