sexta-feira, 9 de março de 2018

pontos prévios: Alves Redol, BARRANCO DE CEGOS (1961)

«Contaram-me que numa tarde de domingo, daquelas em que meu avô, seu criado e maioral das éguas, vinha aviar o alforge para quinze dias de Lezíria, o patrão Diogo nos viu juntos e se dignou, sem nojo, concretizar uma carícia nos cabelos encaracolados da minha cabeça de menino pobre.»

quarta-feira, 7 de março de 2018

Almeida Garrett, VIAGENS NA MINHA TERRA (1846)

«Eu muitas vezes, nestas sufocadas noites de Estio, viajo até à minha janela para ver uma nesguita de Tejo que está no fim da rua, e me enganar com uns verdes de árvores que ali vegetam sua laboriosa infância nos entulhos do Cais do Sodré.»  

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

o início de CÁRCERE INVISÍVEL (1949), de Francisco Costa


«Em longos anos de rotina diária, meu pais afeiçoara-se de tal modo ao armazém de panos onde era o principal empregado, que ali fazia inúmeros serões, gozando raivosamente a ausência do patrão.»
(Lisboa, Editorial Verbo, 1972)

pontos prévio: Alves Redol, BARRANCO DE CEGOS (1961)

«Já lá vão quase cinquenta anos, tempo suficiente para que um lago se torne num pântano ou uma estrela distante e misteriosa se transforme num mundo corriqueiro, ambos possíveis por obra dos homens.»

Francisco Costa, CÁRCERE INVISÍVEL (1949)




«De mansinho (estou a vê-lo!), abriu a porta da rua, subiu no escuro os três degraus da entrada onde o próprio mau cheiro lhe agradava, e apalpando à esquerda, meteu sem ruído a chave na fechadura.»

Abel Botelho, O BARÃO DE LAVOS (1891)

«Dum primeiro andar, com tabuinhas verdes, logo abaixo do Circo, meninas de batas brancas convidavam: -- Psiu! não sobes, ó catitinha? -- aos janotas que passavam.»

domingo, 25 de fevereiro de 2018

o início de O BARÃO DE LAVOS (1891), de Abel Botelho

«Naquela noite de Março, desabrida e húmida, uma grande animação fervilhava alacremente ao fundo da rua do Salitre.» 
(5.ª ed., Porto, Livraria Chardron, 1924)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

José Saramago, O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS (1984)


«Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas de barro, há cheia na lezíria.»

Aquilino Ribeiro, ANDAM FAUNOS PELOS BOSQUES (1926)




«Tarde de infinita benignidade -- era nas vésperas de Nossa Senhora de Maio, quando ela de andor ao céu aberto avista tudo verde em redondo -- ali apetecia gozá-la com cristianíssimo ripanço ao passo moroso da digestão.» 

Joaquim Paço d'Arcos, ANA PAULA (1938)






«Seguiam sem pressa, um pouco vergados pelas próprias figuras, olhando mais o piso da estrada do que os amplos horizontes à sua volta.»