sexta-feira, 20 de abril de 2018

Raul Brandão, A FARSA (1903)


«Uma nuvem desce da serra: arrastam-se os rolos pelas encostas pedregosas e depois as baforadas espessas abafam de todo a vila.»


terça-feira, 17 de abril de 2018

Orlando da Costa, O SIGNO DA IRA (1962)


«Mal sentem esse cheiro a terra que todos os anos desce dos contrafortes dos Gates e percorre o mesmo caminho dos rios e das pequenas cordilheiras até chegar às planícies mais baixas, os búfalos sabem que novamente a terra os espera.» 

Raul Brandão, A MORTE DO PALHAÇO E O MISTÉRIO DA ÁRVORE (1926)


«Já o passado fica muito longe, já as figuras de apagadas mal se distinguem e ainda a poeira de sonho teima lá no fundo...» 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Júlio Dinis, A MORGADINHA DOS CANAVIAIS (1868)



«Era nos extremos do Minho e onde esta risonha e feracíssima província começa já a ressentir-se, senão ainda nos vales e planuras, nos visos dos outeiros pelo menos, da vizinhança de sua irmã, a alpestre e severa Trás-os-Montes.» 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

quarta-feira, 11 de abril de 2018

José Saramago, LEVANTADO DO CHÃO (1980)


«Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda.» 

sábado, 7 de abril de 2018

José Régio, JOGO DA CABRA-CEGA (1934)



«Noites havia, sim, em que simplesmente apreciava a noite: O aspecto de mascaradas, ou desmascaradas, que certas casas têm a certas horas; o silêncio das ruas e a sonoridade das pedras; ; os vultos que se esgueiram, ou esperam à esquina, ou se cosem às paredes, ou nos roçam o ombro, ou nos pedem lume, ou falam alto; e depois esboços de paisagens, ou transfigurações inesperadas de coisas que à luz do dia são banais.»


quinta-feira, 5 de abril de 2018

Ferreira de Castro, A LÃ E A NEVE (1947)




«Rabo entre as pernas, focinho quase raspando a terra, ia triste, cismático, como perro vadio de estrada, descoroçoado da vida.» 

quarta-feira, 28 de março de 2018

Baptista-Bastos, CÃO VELHO ENTRE FLORES (1974)

«Os adarves boleiam suavemente, pela erosão; ruas onde se encontra um sol leve; casas com azulejos, velhas mansões coloniais de grandes janelas e amplas salas, largos com chafarizes ao centro, gárgulas e dragões deitando água, cujo ruído é manso.» 

sexta-feira, 23 de março de 2018

quinta-feira, 22 de março de 2018

Eça de Queirós, OS MAIAS (1888)


«Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação do reinado da senhora D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo, assemelhar-se-ia a um colégio de Jesuítas.»