segunda-feira, 2 de julho de 2018

José Saramago, LEVANTADO DO CHÃO (1980)

«Há dias tão duros como o frio deles, outros em que se não sabe de ar para tanto calor: o mundo nunca está contente, se o estará alguma vez, tão certa tem a morte.»  

domingo, 1 de julho de 2018

Ferreira de Castro, A LÃ E A NEVE (1947)




«Com suas altivas lombas, as ramificações da montanha cercavam, de todas as bandas, a vila postada quase no fundo do grande vale, ao pé do Zêzere, que na paz crepuscular adquiria voz forte, correndo e cantando entre os penedais do seu leito.»

quinta-feira, 28 de junho de 2018

confrontações com Gabriel García Márquez: O AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA (1985)

«O quarto, sufocante e caótico, que servia ao mesmo tempo de quarto de dormir e de laboratório, mal começava a iluminar-se com o resplendor do amanhecer na janela aberta, mas bastava essa luz para reconhecer imediatamente a autoridade da morte. (tradução de Margarida Santiago)

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Manuel Ferreira, HORA DI BAI (1962)

De ponta a ponta, um pesadelo perpassava pelas aldeias e casalejos galgando pela amarelidão da terra nua e requeimada.»  

João de Melo, GENTE FELIZ COM LÁGRIMAS (1988)


«E o pranto da muita gente que ali ficou a agitar lencinhos de adeus fora-se logo convertendo num uivo, o qual acabou por confundir-se com o rumor do vento a alto mar.» 

terça-feira, 26 de junho de 2018

confrontações com Flaubert: MADAME BOVARY (1857)


«Era um daqueles barretes compostos por elementos de boina de feltro, boné turco, chapéu redondo, gorro de peles e carapuça de algodão; uma coisa medíocre, enfim, daquelas cuja fealdade muda tem profundidades de expressão semelhantes às do rosto de um imbecil.»  (trad. Fernanda Ferreira Graça)

confrontações com Ivo Andrić: O PÁTIO MALDITO (1954)



«A brancura do mundo exterior mistura-se com a penumbra sonolenta que impera dentro da cela, o silêncio dá-se bem com o sussurro dos numerosos relógios que ainda trabalham, enquanto outros, já sem corda, estão parados.» (trad. Dejan e Lúcia Stanković)

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Raul Brandão, A FARSA (1903)


«E noite, cerração compacta, névoa e granito formam um todo homogéneo para construírem um imenso e esfarrapado burgo de pedra e sonho.»  

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Camilo Castelo Branco, EUSÉBIO MACÁRIO (1879)


«Ela tinha a mão esquerda escorrida no regaço, com os dedos engelhados e aduncos como um pé de perua morta; o braço direito estava no ar, hirto como um ramalho de flores que parecia uma vassoura de hidrângeas.» 

terça-feira, 19 de junho de 2018

Jorge Amado, CACAU (1933)




«Papai, quando vinha da fábrica. me fazia sentar sobre os seus joelhos e me ensinava o abc com a sua bela voz.»  Cacau (1933)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Ferreira de Castro, A EXPERIÊNCIA (1954)




«Mas não era necessário ler o papel que o polícia trazia no bolso: Januário de Sousa, filho de Ana Maria e de pai incógnito, etc.; bastava deitar o rabo do olho à sua pele morena, lisa e macia, que nem a água passada a ferro na popa dos barcos, para se ver que ele não tinha mais de vinte anos, apesar de os seus olhos parecerem exaustos por não se sabia quantas madrugadas do princípio do mundo.»

quinta-feira, 14 de junho de 2018

confrontações com Alexandre Dumas, Filho: A DAMA DAS CAMÉLIAS (1848)

«Na minha opinião, não se podem criar personagens senão depois de ter estudado muito os homens, assim como não se pode falar uma língua senão depois de a ter aprendido a fundo.»  (trad. Sampaio Marinho)