terça-feira, 31 de julho de 2018

Eça de Queirós, O PRIMO BASÍLIO (1878)

«Era em Julho, um domingo; fazia um grande calor; as duas janelas estavam cerradas, mas sentia-se fora o sol faiscar nas vidraças, escaldar a pedra da varanda; havia o silêncio recolhido e sonolento de manhã de missa; uma vaga quebreira amolentava, trazia desejos de sestas, ou de sombras fofas debaixo de arvoredos, no campo, ao pé da água; nas duas gaiolas, entre bambinelas de cretone azulado, os canários dormiam; um zumbido monótono de moscas arrastava-se por cima da mesa, pousava no fundo das chávenas sobre o açúcar mal derretido, enchia toda a sala de um rumor dormente.»

quinta-feira, 26 de julho de 2018

terça-feira, 24 de julho de 2018

Carlos Vale Ferraz, NÓ CEGO (1983)

«Com o sol a pino, ardendo por cima das árvores sem folhas, os soldados, atrás uns dos outros, na "bicha de pirilau", viam à sua frente apenas dois ou três homens da companhia de comandos e sentiam os passos dos que os seguiam, afastavam os ramos carregados de espinhos que lhes rasgavam os camuflados e a pele.» 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

confrontações com Graham Greene: O FIM DA AVENTURA (1951)

«Uma história não tem princípio ou fim: escolhemos arbitrariamente um momento da experiência, de onde olhar para trás, ou olhar para diante.» (trad. Jorge de Sena)

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Jorge Amado, CAPITÃES DA AREIA (1937)

«Antigamente diante do trapiche se estendia o mistério do mar oceano, as noites diante dele eram de um verde escuro, quase negras, daquela cor misteriosa que é a cor do mar à noite.»  

Júlio Dinis, A MORGADINHA DOS CANAVIAIS (1868)

«Só de longe em longe, a choça do pegureiro ou a cabana do rachador, mas estas tão ermas e desamparadas, que mais entristeciam do que a absoluta solidão.» 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

confrontações com Balzac: A MULHER DE TRINTA ANOS (1829/1842)

«Em princípios do mês de Abril de 1813 houve um domingo cuja manhã prometia um desses belos dias em que os Parisienses vêem pela primeira vez no ano as suas ruas sem lama e o céu da sua cidade sem nuvens.»  (trad. Carlos Loures)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

José Saramago, LEVANTADO DO CHÃO (1980)

«Há dias tão duros como o frio deles, outros em que se não sabe de ar para tanto calor: o mundo nunca está contente, se o estará alguma vez, tão certa tem a morte.»  

domingo, 1 de julho de 2018

Ferreira de Castro, A LÃ E A NEVE (1947)




«Com suas altivas lombas, as ramificações da montanha cercavam, de todas as bandas, a vila postada quase no fundo do grande vale, ao pé do Zêzere, que na paz crepuscular adquiria voz forte, correndo e cantando entre os penedais do seu leito.»

quinta-feira, 28 de junho de 2018

confrontações com Gabriel García Márquez: O AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA (1985)

«O quarto, sufocante e caótico, que servia ao mesmo tempo de quarto de dormir e de laboratório, mal começava a iluminar-se com o resplendor do amanhecer na janela aberta, mas bastava essa luz para reconhecer imediatamente a autoridade da morte. (tradução de Margarida Santiago)