sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Alves Redol, BARRANCO DE CEGOS (1961)

«Acuso-me também de ter rompido, com muitos outros, os nevoeiros premeditados, os abismos reais e os abismos ilusórios, que são ainda mais perigosos, as cadeias, as ameaças e os sortilégios do cercado em que conviria permanecermos ainda mais uns séculos, para glória e proveitos dos nossos amos, que dispuseram de poderes suficientes para mandarem decapitar todos os seus servos, sem qualquer coima ou embargo, e não o ordenarem pelo simples facto de não poderem passar sem eles.» 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Agustina Bessa Luís, ANTES DO DEGELO (2004)

«Num coberto por detrás da casa, frente ao pátio onde tinha crescido uma nogueira gigante, um velho derreado, numa das últimas posturas que antecedem a morte, olhou-me com o sorriso habitual dos subalternos.»

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Almeida Garrett, VIAGENS NA MINHA TERRA (1846)

«Assim vamos de todo o nosso vagar contemplando este majestoso e pitoresco anfiteatro de Lisboa oriental, que é, vista de fora, a mais bela e mais grandiosa parte da cidade, a mais característica, e onde, aqui e ali, algumas raras feições se percebem, ou mais exactamente se adivinham, da nossa velha e boa Lisboa das crónicas.» 

sábado, 29 de dezembro de 2018

Soeiro Pereira Gomes, ESTEIROS (1941)

«Com os prenúncios de Outono, as primeiras chuvas encheram de frémitos o lodaçal negro dos esteiros, e o vento agreste abriu buracos nos trapos dos garotos, num arrepio de águas e de corpos.»

confrontações com Dezsö Kostolányi, A COTOVIA (1924)


«O relógio de pêndulo, esse, que balançava na sua caixa de vidro luxuosamente esculpida em madeira, e, no seu balanceiro de cobre amarelo, cortava em bocadinhos o dia que parecia interminável, mostrava a hora: meio-dia e trinta minutos. (tradução de Ernesto Rodrigues)

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Manuel da Fonseca, SEARA DE VENTO (1958)

«Contra a parede negra da lareira, a meio da frouxa claridade, a curva das costas de Júlia, muito magras, aumenta mais o seu ar de desalento.» 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

o quando e o quadro (1870-1879)

1875. O Crime do Padre Amaro (Eça de Queirós)

Edgar Degas, Praça da Concórdia
1878. O Primo Basílio (Eça de Queirós)

Félicien Rops, Pornocrates ou A Dama e o Porco

1879. Eusébio Macário (Camilo Castelo Branco)


Pierre-Auguste Renoir, Almoço no Restaurante Fournaise





quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Camilo Castelo Branco, AMOR DE PERDIÇÃO (1862)

«E história assim poderá ouvi-la a olhos enxutos a mulher, a criatura mais bem formada das branduras da piedade, a que por vezes traz consigo do céu um reflexo da divina misericórdia: essa, a minha leitora, a carinhosa amiga de todos os infelizes, não choraria se lhe dissessem  que o pobre moço perdera honra, reabilitação, pátria, liberdade, irmãs, mãe, vida, tudo, por amor da primeira mulher que o despertou do seu dormir de inocentes desejos?!»

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Almeida Garrett, VIAGENS NA MINHA TERRA (1846)

«Era uma ideia vaga; mais desejo que tenção, que eu tinha há muito de ir conhecer as ricas várzeas desse Ribatejo, e saudar em seu alto cume a mais histórica e monumental das nossas vilas.» 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Agustina Bessa Luís, OS MENINOS DE OURO (1983)


«Mesmo na Transilvânia, com a densa obscuridade que projectam os cedros no espaço vegetal, não se trata apenas de um aglomerado de árvores; há um acordo entre o sentimento humano e aquela formação botânica de raízes e ramos.»

confrontações com Vladimir Korolenko, O SONHO DE MACAR (1885)

«É uma aldeola completamente escondida no coração da taiga, nessas selvas virgens e hiperbóreas do governo de Iakutsk.»  (tradução anónima)