«Encostando o ombro a uma esquina do velho Teatro Nacional, onde tantas vezes fora aplaudido e ovacionado, pôs-se a ouvir o movimento surdo e enrolado da cidade.»
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Carlos de Oliveira, UMA ABELHA NA CHUVA (1953)
«O escritório do Medeiros, director da Comarca, era escuro e desconfortável; uma vulgar secretária de pinho, dois ou três cadeirões com almofadas de palha, um quebra-luz de missanga na lâmpada do tecto e montes de jornais aos cantos; cheirava a pó como num caminho de estio.»
domingo, 13 de janeiro de 2019
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
confrontações com Gabriel García Márquez, MEMÓRIA DAS MINHAS PUTAS TRISTES (2004)
«No ano dos meus noventa anos quis oferecer a mim mesmo uma noite de amor louco com uma adolescente virgem.» (trad. Maria do Carmo Abreu)
confrontações com Milan Kundera, A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER (1983)
«O eterno retorno é uma ideia misteriosa de Nietzsche que, com ela, conseguiu dificultar a vida a não poucos filósofos: pensar que, um dia, tudo o que se viveu se há-de repetir outra vez e que essa repetição se há-de repetir ainda uma e outra vez, até ao infinito!» (trad. Joana Varela)
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
Luís de Magalhães, O BRASILEIRO SOARES (1886)
«Ao tempo da sua partida, quando os pais o foram despedir a bordo da galera América, ele era um minhoto atarracado, de largos ombros, biceps de atleta, tórax saliente, e o pescoço curto e grosso, como o dos valentes bois do Barroso.»
Aquilino Ribeiro, ANDAM FAUNOS PELOS BOSQUES (1926)
«E, pelos rasgões do chambre, um seio branco, rechonchudo, com mais vergonha que se o Padre Santo António lhe publicasse os segredos, mostrava o mamilo, tão rubro, tão jucundo como o morango primeiro que pinta no morangal.»
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
Assis Esperança, SERVIDÃO (1946)
«Não mais o frio das noites frias, a esteira, no chão, a fazer de cama para ela e para os irmãos, "cobertas de farrapos" a cobrirem-nos, por mantas quentes os jornais que a mãe estendia entre coberta e coberta: dispunha, agora e para sempre, de um leito nupcial, de príncipes, almofadas e almofadões a adornarem-no.»
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
Alves Redol, BARRANCO DE CEGOS (1961)
«Acuso-me também de ter rompido, com muitos outros, os nevoeiros premeditados, os abismos reais e os abismos ilusórios, que são ainda mais perigosos, as cadeias, as ameaças e os sortilégios do cercado em que conviria permanecermos ainda mais uns séculos, para glória e proveitos dos nossos amos, que dispuseram de poderes suficientes para mandarem decapitar todos os seus servos, sem qualquer coima ou embargo, e não o ordenarem pelo simples facto de não poderem passar sem eles.»
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
Agustina Bessa Luís, ANTES DO DEGELO (2004)
«Num coberto por detrás da casa, frente ao pátio onde tinha crescido uma nogueira gigante, um velho derreado, numa das últimas posturas que antecedem a morte, olhou-me com o sorriso habitual dos subalternos.»
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Almeida Garrett, VIAGENS NA MINHA TERRA (1846)
«Assim vamos de todo o nosso vagar contemplando este majestoso e pitoresco anfiteatro de Lisboa oriental, que é, vista de fora, a mais bela e mais grandiosa parte da cidade, a mais característica, e onde, aqui e ali, algumas raras feições se percebem, ou mais exactamente se adivinham, da nossa velha e boa Lisboa das crónicas.»
sábado, 29 de dezembro de 2018
Soeiro Pereira Gomes, ESTEIROS (1941)
«Com os prenúncios de Outono, as primeiras chuvas encheram de frémitos o lodaçal negro dos esteiros, e o vento agreste abriu buracos nos trapos dos garotos, num arrepio de águas e de corpos.»
confrontações com Dezsö Kostolányi, A COTOVIA (1924)
«O relógio de pêndulo, esse, que balançava na sua caixa de vidro luxuosamente esculpida em madeira, e, no seu balanceiro de cobre amarelo, cortava em bocadinhos o dia que parecia interminável, mostrava a hora: meio-dia e trinta minutos. (tradução de Ernesto Rodrigues)
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