terça-feira, 28 de maio de 2019

segunda-feira, 27 de maio de 2019

João Gaspar Simões, ELÓI OU ROMANCE NUMA CABEÇA (1932)

«Lamenta não poder ver a escuridão, porque lhe cobrem a vista novelos de claridade absurdamente negros: novelos ou passadeiras de matéria luminosa que, do que supõe o tecto, descem, pesados, para o que supõe o chão.» 

Manuel da Fonseca, CERROMAIOR (1943)

«Uma cabeça pequenina, cabelo rapado e com o maxilar inferior tão largo e comprido que parecia impedi-lo de fechar completamente a boca.» 

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Manuel Ribeiro, A CATEDRAL (1920)

«Súbito uma revoada de vozes escapou-se em surdina do âmago da igreja e derramou pelos claustros o clamor inquietante duma dolência arrastada.» 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

António Alçada Baptista, TIA SUZANA, MEU AMOR (1989)

«Quando, há muitos anos, o Sr. Trocato me contou as razões por que não acreditava na história que corria sobre a morte do Dr. Júlio Fernandes da Silva e da mulher, eu não tive dúvida de que aquilo foi um crime porque me lembrei logo da minha tia Suzana.»

segunda-feira, 13 de maio de 2019

domingo, 12 de maio de 2019

Alves Redol, FANGA (1943)

«Até hoje, e já lá vão muitos anos, nunca vi o mar, embora dele tenha ouvido contar muitas histórias, e, não sei porquê, parece-me que o conheço todo só por causa daquela fotografia.» 

domingo, 5 de maio de 2019

Abel Botelho, O BARÃO DE LAVOS (1891)

«À porta dois contratadores apenas, um polícia, e, sentada no último degrau sobre a rua, uma velhota, de tabuleiro à frente, coalhado de quanto há de mais pelintramente indigesto em matéria de doçura, com uma vela protegida por um cartucho de papel cor-de-rosa.» 

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Jorge Reis, MATAI-VOS UNS AOS OUTROS (1961)

«Afeito à nudez sebosa das repartições, o recém-chegado abafou uma voz de espanto ao passar a uma saleta cujo requinte no arranjo descondizia com tudo o que vira em tão ingracioso edifício: era uma dependência fofa, não grande, toda de veludos vermelhos, lambris dourados, cristais e móveis reluzentes, onde, pelos reposteiros entreabertos, a luz, que do céu azul ferrete se derramava a jorros sobre a vila, vinha molemente esparrinhar-se num tapete de Arraiolos...»

quinta-feira, 2 de maio de 2019

José Lins do Rego, CANGACEIROS (1953)

«Léguas e léguas andaram, como se fossem retirantes, de fazenda em fazenda, a pedir a um e a outro uma tigela de farinha que lhes matasse a fome, e pés roídos pelos espinhos e olhos fundos de sofrimento.» 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Joaquim Paço d'Arcos, ANA PAULA (1938)

«Ana Paula refugiara-se num súbito mutismo, como que receosa de se ter expandido em demasia naquela espontânea declaração que nenhum mau pensar inspirara e que só reproduzira a singeleza do seu sentimento, recto como a luz rectilínea dos seus olhos, leais e profundos.»