«Já então um pouco obeso, mas empertigado por aquela volúpia do próprio mérito, que é sugestiva como um cartaz, -- principiava a usar o seu famoso chapéu preto de grandes abas, que implantava um pouco à banda, com audácia, sobre penungens dizimadas pela seborreia.»
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quinta-feira, 6 de junho de 2019
terça-feira, 28 de maio de 2019
José Marmelo e Silva, ADOLESCENTE AGRILHOADO (1948)
«Cansado da mesquinhez das terras arrendadas, o pai trabalhava agora na mina de volfrâmio dos ingleses como carpinteiro-escorador.»
segunda-feira, 27 de maio de 2019
João Gaspar Simões, ELÓI OU ROMANCE NUMA CABEÇA (1932)
«Lamenta não poder ver a escuridão, porque lhe cobrem a vista novelos de claridade absurdamente negros: novelos ou passadeiras de matéria luminosa que, do que supõe o tecto, descem, pesados, para o que supõe o chão.»
Manuel da Fonseca, CERROMAIOR (1943)
«Uma cabeça pequenina, cabelo rapado e com o maxilar inferior tão largo e comprido que parecia impedi-lo de fechar completamente a boca.»
sábado, 25 de maio de 2019
sexta-feira, 24 de maio de 2019
Manuel Ribeiro, A CATEDRAL (1920)
«Súbito uma revoada de vozes escapou-se em surdina do âmago da igreja e derramou pelos claustros o clamor inquietante duma dolência arrastada.»
sexta-feira, 17 de maio de 2019
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Álvaro Guerra, CAFÉ REPÚBLICA (1984)
«Até àquele dia de Junho de 1914 nunca fora pronunciado, em Vila Velha e no seu Concelho, o nome de Serajevo.»
domingo, 12 de maio de 2019
Alves Redol, FANGA (1943)
«Até hoje, e já lá vão muitos anos, nunca vi o mar, embora dele tenha ouvido contar muitas histórias, e, não sei porquê, parece-me que o conheço todo só por causa daquela fotografia.»
sexta-feira, 10 de maio de 2019
domingo, 5 de maio de 2019
Abel Botelho, O BARÃO DE LAVOS (1891)
«À porta dois contratadores apenas, um polícia, e, sentada no último degrau sobre a rua, uma velhota, de tabuleiro à frente, coalhado de quanto há de mais pelintramente indigesto em matéria de doçura, com uma vela protegida por um cartucho de papel cor-de-rosa.»
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Jorge Reis, MATAI-VOS UNS AOS OUTROS (1961)
«Afeito à nudez sebosa das repartições, o recém-chegado abafou uma voz de espanto ao passar a uma saleta cujo requinte no arranjo descondizia com tudo o que vira em tão ingracioso edifício: era uma dependência fofa, não grande, toda de veludos vermelhos, lambris dourados, cristais e móveis reluzentes, onde, pelos reposteiros entreabertos, a luz, que do céu azul ferrete se derramava a jorros sobre a vila, vinha molemente esparrinhar-se num tapete de Arraiolos...»
quinta-feira, 2 de maio de 2019
José Lins do Rego, CANGACEIROS (1953)
«Léguas e léguas andaram, como se fossem retirantes, de fazenda em fazenda, a pedir a um e a outro uma tigela de farinha que lhes matasse a fome, e pés roídos pelos espinhos e olhos fundos de sofrimento.»
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