«Sempre de nariz no ar e olhos investigadores ao lado dos operários, que a detestavam porque ela intervinha em todos os pormenores -- olhe isto, olhe aquilo, assim não está bem, faça assim, faça assado -- de tal forma se portara que, durante semanas e mais semanas, a vida tivera um incómodo sentido provisório no meio do movimento e da desordem em que tudo aquilo andava.»
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sábado, 6 de julho de 2019
quarta-feira, 3 de julho de 2019
João Guimarães Rosa, GRANDE SERTÃO: VEREDAS (1956)
«Ainda o senhor estude: agora mesmo, nestes dias de época, tem gente porfalando que o Diabo próprio parou, de passagem, no Andrequicé.»
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Eça de Queirós, A CIDADE E AS SERRAS (póst., 1901)
«Na estrada de Orléans, numa noite agreste, o eixo da berlinda em que jornadeavam partiu, e o nédio senhor, a delicada senhora da casa da Avelã, o menino, marcharam três horas na chuva e na lama do exílio até uma aldeia, onde, depois de baterem como mendigos a portas mudas, dormiram nos bancos de uma taberna.»
terça-feira, 25 de junho de 2019
quarta-feira, 19 de junho de 2019
João de Melo, GENTE FELIZ COM LÁGRIMAS (1988)
«As irmãzinhas haviam-na abandonado num camarote sem ar e sem vigias: uma luz mortuária por cima da cabeça, sacos de plástico para o enjoo arrumados numa bolsinha fatídica, o beliche estreito e uma mistura dos cheiros que só existem nos barcos -- salitre, tintas quentes e o amoníaco entorpecente das latrinas muito próximas.»
terça-feira, 18 de junho de 2019
Augusto Abelaira, A CIDADE DAS FLORES (1959)
«Como se as pupilas que todos os dias o viam o esmagassem: pupilas de escravos, pupilas de homens que temiam dizer o que pensavam -- homens mutilados.»
Jorge Amado, GABRIELA, CRAVO E CANELA (1958)
«Quanto ao pequeno drama pessoal de Nacib, sùbitamente sem cozinheira, dele apenas seus amigos mais íntimos tomaram conhecimento imediato, sem lhe dar, aliás, maior importância.»
sábado, 15 de junho de 2019
confrontações com George Orwell, MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO (1949)
«Winston Smith, de queixo fincado no peito num esforço para fugir ao vento impiedoso, esgueirou-se rápido pelas portas de vidro da Mansão Vitória; não tão rapidamente, porém, que pudesse impedir um turbilhão de terra entrar com ele.» (trad. L. Morais)
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Eça de Queirós, A CAPITAL! (póstumo, 1925)
«O chefe da estação, um gordo com os queixos amarrados num lenço de seda preta, o bonnet de galão sujo muito posto ao lado, apareceu então, à porta da sala de bagagens, de charuto nos dentes.»
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Alexandre Herculano, EURICO O PRESBÍTERO (1844)
«O povo, esmagado debaixo do peso dos tributos, dilacerado pelas lutas dos bandos civis, prostituído às paixões dos poderosos, esquecera completamente as virtudes guerreiras de seus avós.»
sábado, 8 de junho de 2019
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Eduardo Frias e Ferreira de Castro, A BOCA DA ESFINGE (1924)
«E como a corroborar as últimas palavras da mulher, um criado passou pelo convés agitando uma grande campainha: -- miniatura de sino dobrando tristeza: -- avisando aos estranhos que estavam a bordo, que deviam abandonar o navio, porque este ia partir.»
quinta-feira, 6 de junho de 2019
Tomás Ribeiro Colaço, A CALÇADA DA GLÓRIA (1947)
«Já então um pouco obeso, mas empertigado por aquela volúpia do próprio mérito, que é sugestiva como um cartaz, -- principiava a usar o seu famoso chapéu preto de grandes abas, que implantava um pouco à banda, com audácia, sobre penungens dizimadas pela seborreia.»
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