«Desde as quatro horas da tarde, no calor e silêncio do domingo de Junho, o Fidalgo da Torre, em chinelos, com uma quinzena de linho envergada sobre a camisa de chita cor-de-rosa, trabalhava.»
cronologia dos autores
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domingo, 29 de setembro de 2019
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
primeiro parágrafo de A CATEDRAL (1920), de Manuel Ribeiro
«Era a hora de Matinas. A sineta do claustro tangia, a convocar os capitulares para o coro, quando Luciano passou da sua alcova à biblioteca, entreabrindo uma pequena porta e afastando uma massa rígida dum brocado que descia do lambrequim em pregas hirtas, adornado de eucarísticos lavores de seda e oiro. Em seguida, acercando-se duma janela cujas portadas tinham ficado despreocupadamente abertas, descerrou, num gesto largo, as vidraças de par em par, e aspirou com delícia a onda do ar fresco, que inundou a casa, impregnado dos vapores que do jardim, em baixo, se evolavam.» O tempo. Matinas -- antes do raiar do Sol, hora de oração e leituras de textos bíblicos e hagiográficos.
O espaço. A referência a um claustro, a capitulares e a um coro, indica estarmos numa casa religiosa, obviamente sem surpresa, atendendo ao título do romance. Uma ligação directa da alcova à biblioteca, pode indiciar um aposento privilegiado para quem tenha hábitos, necessidades e práticas do foro intelectual.
Personagem. Luciano. Habita no recinto, no qual parece deambular à vontade. Sabemo-lo, quantos lemos o romance, tratar-se de pessoa decidida e ideias firmes. O «gesto largo» com que abre as janelas e aspira o ar da rua a plenos pulmões são gestos e atitudes que prenunciam a sua assertividade.
Impressões. o som (a sineta que tangia); a visualização do peso do lambrequim; o ar madrugador e refrescante que Luciano aspira a plenos pulmões.
O modo. As referências ao brocardo revela a permanência da estética naturalista, com todas as minúcias descritivas.
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
Machado de Assis, DOM CASMURRO (1904)
«Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu.»
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Camilo Castelo Branco, A FILHA DO REGICIDA (1875)
«Ainda os membros dispersos do cadáver de Domingos Leite Pereira apodreciam nos postes, quando saiu uma procissão de triunfo a desempestar especialmente as Ruas dos Torneiros e da Fancaria.»
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
José de Almada Negreiros, NOME DE GUERRA (1938 [925]
«Das duas uma: ou as pessoas se fazem ao nome que lhes puseram no baptismo, ou ele tem de seu o bastante para marcar a cada um.»
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
Carlos Malheiro Dias, PAIXÃO DE MARIA DO CÉU (1902)
«D. António Sepúlveda de Vasconcelos e Meneses, senhor do morgadio do Corgo, festejava nesse dia soalheiro de Outubro, em 1807, os vinte anos viçosos da linda Maria do Céu.»
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
segunda-feira, 5 de março de 2018
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
o início de CÁRCERE INVISÍVEL (1949), de Francisco Costa
«Em longos anos de rotina diária, meu pais afeiçoara-se de tal modo ao armazém de panos onde era o principal empregado, que ali fazia inúmeros serões, gozando raivosamente a ausência do patrão.»
(Lisboa, Editorial Verbo, 1972)
domingo, 11 de fevereiro de 2018
o início de ANDAM FAUNOS PELOS BOSQUES (1926). de Aquilino Ribeiro
Rubicundo, pesadão de farto, o estômago bem lastrado com lombo de vinha-de-alhos, padre Jesuíno saiu a espairecer para a varanda que a aragem da serra brandamente refrescava.» (s.ed., Lisboa, Livraria Betrand, 1979).
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
o início de ANA PAULA (1938), de Joaquim Paço d'Arcos
«Pela estrada plana, que, bordejando as baterias do campo entrincheirado, liga a fortaleza de S. Julião da Barra à estação de Oeiras, seguiam naquela tarde outonal de Novembro de 35 dois vultos que, a distância, semelhavam pela gentileza do garbo e interesse na conversação, par de noivos que, desejando-se solitário, houvesse buscado aquele caminho pouco frequentado para seu passeio e íntimas confissões.» (9.ª ed., Lisboa, Guimarães Editores, 1954)
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
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