cronologia dos autores

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domingo, 21 de março de 2021

a filha do arcediago



O prefácio: uma técnica de promoção do livro que inteligentemente se desdenha a si própria, como se escrevesse: "não tomem o que escrevo pelo seu valor facial, que eu não sou bom de assoar; no entanto, se quiserem umas horas bem passadas na companhia duma intriga palpitante, então comprem o raio do livro!"
Este permanente jogo com o leitor sempre me fascinou no grande Camilo; artifício que depois se vai encontrar no não menor Machado de Assis, como escreve Paulo Franchetti, num excelente artigo lido aqui.
Um desavergonhado, no melhor sentido, o nosso autor (29 anos, em 1854), anunciando o seu romance com vozearia de feiras & mercados: «Leitores! Se há verdade sobre a Terra, é o romance que eu tenho a honra de oferecer às vossas horas de desenfado.»...
Camilo Castelo Branco, A Filha do Arcediago (1854), Mem Martins, Publicações Europa-América, 1977, p.5.

Eça e Camilo



A Capital! depois de Doze Casamentos Felizes, e ocorre-me: «Como seriam as vozes de Camilo e Eça? Como soariam?» Suponho a de Eça ligeiramente nasalada e aguda, como que a deixar-nos à-vontade -- talvez (passe o cliché naturalista) para melhor nos estudar. Quanto à de Camilo, sinto-a mais áspera e grave, a pôr-nos em guarda -- ela, que ao soltar-se já estaria de sobreaviso... (20 de Junho de 2015)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Camilo Castelo Branco: a genial velhacaria


Camilo
Ferreira Botelho Castelo Branco (Lisboa, Rua da Rosa, n.º 5-13 [numeração actual], 16-III-1825 - S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, 1-VI-1890).

Filiação: Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, fidalgo natural de Vila Real e Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, natural da freguesia de Santiago, Sesimbra. Camilo teve uma irmão mais velha, Carolina Rita, mãe do poeta Azevedo Castelo Branco (que o tio antologia no Cancioneiro Alegre), amigo de Antero em Coimbra, e personalidade de relevo político, sendo, entre outros cargos desempenhados, o último ministro dos Negócios Estrangeiros da monarquia.

Formação:

Relações e descendência.

Os livros.

lista 1

2

3

passiva seleccionada

domingo, 12 de janeiro de 2020

Camilo Castelo Branco, AMOR DE PERDIÇÃO (1862)

«Antes de entrar na avoenga liteira de seu marido, perguntou, com a mais refalsada seriedade, se não haveria risco de ir dentro daquela antiguidade. »

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Camilo Castelo Branco, A FILHA DO REGICIDA (1875)

«Ainda os membros dispersos do cadáver de Domingos Leite Pereira apodreciam nos postes, quando saiu uma procissão de triunfo a desempestar especialmente as Ruas dos Torneiros e da Fancaria.»

terça-feira, 30 de julho de 2019

Camilo Castelo Branco, A FILHA DO ARCEDIAGO (1854)

«Era uma paixão, uma paixão da alma, a mocidade na velhice, essa ânsia impotente dum coração que quer romper os tecidos atrofiados de cinquenta e cinco anos para dar quatro pulos em pleno ar.» 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Camilo Castelo Branco, AMOR DE PERDIÇÃO (1862)

«E história assim poderá ouvi-la a olhos enxutos a mulher, a criatura mais bem formada das branduras da piedade, a que por vezes traz consigo do céu um reflexo da divina misericórdia: essa, a minha leitora, a carinhosa amiga de todos os infelizes, não choraria se lhe dissessem  que o pobre moço perdera honra, reabilitação, pátria, liberdade, irmãs, mãe, vida, tudo, por amor da primeira mulher que o despertou do seu dormir de inocentes desejos?!»

terça-feira, 6 de novembro de 2018

combatentes: Jaime Brasil, O CASO DE "A INFANTA CAPELISTA" DE CAMILO CASTELO BRANCO (1958)


«A confusão estabelecida pelos "entendidos" em camilografia, em geral simples camilómanos, acerca da obra de Camilo Castelo Branco "A Infanta Capelista" é de tal ordem que os não iniciados nos mistérios da vida desse escritor dificilmente encontram o fio da meada, propositadamente enredada pelos camilófagos e "camelianistas".» 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Camilo Castelo Branco, EUSÉBIO MACÁRIO (1879)


«Ela tinha a mão esquerda escorrida no regaço, com os dedos engelhados e aduncos como um pé de perua morta; o braço direito estava no ar, hirto como um ramalho de flores que parecia uma vassoura de hidrângeas.» 

terça-feira, 20 de março de 2018

Camilo Castelo Branco, EUSÉBIO MACÁRIO (1879)


«Por debaixo da triplicada cornija do mostrador havia uma medalha com uma dama cor de laranja, vertida de vermelhão, decotada, com uma romeira e uma pescoceira crassa e grossa de vaca barrosã, penteada à Pompadour, com uma réstia de pedras brancas a enastrar-lhe as tranças.» 

Camilo Castelo Branco, A FILHA DO ARCEDIAGO (1854)



«As bochechas balofas e trémulas, dilatadas pelo calor do Estio, ressumavam-lhe um suco oleoso, quer descia em regos pelos três rofegos da barba e vinha aderir a camisa às duas grandes esponjas, que formavam os seios cabeludos do nosso amigo atribulado.» 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Camilo Castelo Branco, AMOR DE PERDIÇÃO (1862)





«Se comparo o Amor de Perdição, cuja 5.ª edição me parece um êxito fenomenal e extralusitano, com O crime do Padre Amaro e O primo Basílio, confesso, voluntariamente resignado, que para o esplendor desses dois livros foi preciso que a Arte se ataviasse dos primores lavrados no transcurso de dezasseis anos. O Amor de Perdição, visto à luz eléctrica do criticismo moderno, é um romance romântico, declamatório, com bastantes aleijões líricos, e uma ideias celeradas que chegam a tocar no desaforo do sentimentalismo.. Eu não cessarei de dizer mal desta novela, que tem a brutal insolência de não devassar alcovas, a fim de que as senhoras a possam ler nas salas, em presença de suas filhas ou de suas mães, e não precisem de esconder-se com o livro no seu quarto de banho. Dizem, porém, que o Amor de Perdição fez chorar. Mau foi isso. Mas agora, como indemnização, faz rir; tornou-se cómico pela seriedade antiga, pelo raposinho que lhe deixou o ranço das velhas histórias do Trancoso e do padre Teodoro de Almeida.» «Prefácio da quinta edição», 1879.

Camilo Castelo Branco, AMOR DE PERDIÇÃO (1862)

«Não seria fiar demasiado na sensibilidade do leitor, se cuido que o degredo de um moço de dezoito anos lhe há-de fazer dó.»  

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Camilo, o romantismo e a nova escola realista (1879)

«Se comparo o Amor de Perdição, cuja 5.ª edição me parece um êxito fenomenal e extralusitano, com O crime do Padre Amaro e O primo Basílio, confesso, voluntariamente resignado, que para o esplendor desses dois livros foi preciso que a Arte se ataviasse dos primores lavrados no transcurso de dezasseis anos. O Amor de Perdição, visto à luz eléctrica do criticismo moderno, é um romance romântico, declamatório, com bastantes aleijões líricos, e uma ideias celeradas que chegam a tocar no desaforo do sentimentalismo.. Eu não cessarei de dizer mal desta novela, que tem a brutal insolência de não devassar alcovas, a fim de que as senhoras a possam ler nas salas, em presença de suas filhas ou de suas mães, e não precisem de esconder-se com o livro no seu quarto de banho. Dizem, porém, que o Amor de Perdição fez chorar. Mau foi isso. Mas agora, como indemnização, faz rir; tornou-se cómico pela seriedade antiga, pelo raposinho que lhe deixou o ranço das velhas histórias do Trancoso e do padre Teodoro de Almeida.» Amor de Perdição, «Prefácio da quinta edição», 1879. 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

o início de AMOR DE PERDIÇÃO (1862), de Camilo Castelo Branco

 «Folheando os livros de antigos assentamentos, no cartório das cadeias da relação do Porto, li, no das entradas dos presos desde 1803 a 1805, a folhas 232, o seguinte:» (Companhia Portuguesa Editora, Porto, 1917)