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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Coelho Neto, A CAPITAL FEDERAL (1893)

«De longe em longe, uma luzinha treme, traçando no pó soalheiro dos caminhos uma risca luminosa -- é algum jogador, que se recolhe despojado e trôpego, ou o santíssimo padre Coriolano, que anda a correr o aprisco, a ver se alguma ovelha bale, roída pelo arrependimento do pecado, que é uma chaga terrível que a gente cura com as drogas da filosofia ou com a boa e sadia campónia, que, mais do que os santos, sabe levar os seus eleitos ao Paraíso, por um caminho bem diferente desse que a igreja conspícua e autera manda que se trilhe -- ninguém mais.» A Capital Federal (1893)

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Ferreira de Castro, A LÃ E A NEVE (1947)

«A luz parecia desprender-se, como um véu, da imensurável cavidade, deixando ainda vermelhar a telha francesa das casas abastadas, enquanto os negros telhados dos pobres se somavam já à escuridão que avançava.» 

quinta-feira, 25 de julho de 2019

quarta-feira, 24 de julho de 2019

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Eça de Queirós, A CIDADE E AS SERRAS (póst., 1901)

«Na estrada de Orléans, numa noite agreste, o eixo da berlinda em que jornadeavam partiu, e o nédio senhor, a delicada senhora da casa da Avelã, o menino, marcharam três horas na chuva e na lama do exílio até uma aldeia, onde, depois de baterem como mendigos a portas mudas, dormiram nos bancos de uma taberna.» 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Joaquim Paço d'Arcos, ANA PAULA (1938)

«Na noite que caía, envolvendo em sombras a figura de mulher que tanta dor exprimira, já mal se distinguiam as feições magoadas por um rictus de sarcasmo e de revolta.»


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Francisco Costa, CÁRCERE INVISÍVEL (1949)



«No isolamento absoluto da noite, as matérias do curso costumavam entrar-me pelo espírito dentro, com uma fluidez e limpidez de água corrente.» 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Eça de Queirós, S. CRISTÓVÃO (póstumo, 1911)

«E a noite cerrava-se, quando para além de uma ponte de tabuado que tremia sobre uma torrente, seca por aquele lento Agosto, o povoado apareceu entre o arvoredo do vale, com a capela branca e toda nova que o Senhor do Castelo andava erguendo a S. Cosme.»   

domingo, 9 de setembro de 2018

Jorge Amado, MAR MORTO (1936)

«Ainda não estavam acesas as luzes do cais, no Farol das Estrelas não brilhavam ainda as lâmpadas pobres que iluminavam os copos de cachaça, muitos saveiros ainda cortavam as águas do mar, quando o vento trouxe a noite de nuvens pretas.» 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Jorge Amado, CAPITÃES DA AREIA (1937)

«Antigamente diante do trapiche se estendia o mistério do mar oceano, as noites diante dele eram de um verde escuro, quase negras, daquela cor misteriosa que é a cor do mar à noite.»  

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Raul Brandão, A FARSA (1903)


«E noite, cerração compacta, névoa e granito formam um todo homogéneo para construírem um imenso e esfarrapado burgo de pedra e sonho.»  

sábado, 7 de abril de 2018

José Régio, JOGO DA CABRA-CEGA (1934)



«Noites havia, sim, em que simplesmente apreciava a noite: O aspecto de mascaradas, ou desmascaradas, que certas casas têm a certas horas; o silêncio das ruas e a sonoridade das pedras; ; os vultos que se esgueiram, ou esperam à esquina, ou se cosem às paredes, ou nos roçam o ombro, ou nos pedem lume, ou falam alto; e depois esboços de paisagens, ou transfigurações inesperadas de coisas que à luz do dia são banais.»


domingo, 11 de março de 2018

Francisco Costa, CÁRCERE INVISÍVEL (1949)




«Nessa noite de Julho, ao regressar a casa, deve ter parado, atónito, no meio da rua deserta: embora passasse da meia-noite, havia, na janela da frente, um risco de luz vertical!»