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domingo, 21 de março de 2021

a filha do arcediago



O prefácio: uma técnica de promoção do livro que inteligentemente se desdenha a si própria, como se escrevesse: "não tomem o que escrevo pelo seu valor facial, que eu não sou bom de assoar; no entanto, se quiserem umas horas bem passadas na companhia duma intriga palpitante, então comprem o raio do livro!"
Este permanente jogo com o leitor sempre me fascinou no grande Camilo; artifício que depois se vai encontrar no não menor Machado de Assis, como escreve Paulo Franchetti, num excelente artigo lido aqui.
Um desavergonhado, no melhor sentido, o nosso autor (29 anos, em 1854), anunciando o seu romance com vozearia de feiras & mercados: «Leitores! Se há verdade sobre a Terra, é o romance que eu tenho a honra de oferecer às vossas horas de desenfado.»...
Camilo Castelo Branco, A Filha do Arcediago (1854), Mem Martins, Publicações Europa-América, 1977, p.5.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Camilo Castelo Branco, A FILHA DO ARCEDIAGO (1854)

«Era uma paixão, uma paixão da alma, a mocidade na velhice, essa ânsia impotente dum coração que quer romper os tecidos atrofiados de cinquenta e cinco anos para dar quatro pulos em pleno ar.» 

terça-feira, 20 de março de 2018

Camilo Castelo Branco, A FILHA DO ARCEDIAGO (1854)



«As bochechas balofas e trémulas, dilatadas pelo calor do Estio, ressumavam-lhe um suco oleoso, quer descia em regos pelos três rofegos da barba e vinha aderir a camisa às duas grandes esponjas, que formavam os seios cabeludos do nosso amigo atribulado.»